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10.7.11
novo movimento
Marina Silva, no Globo:
"Criamos acúmulos que nos levaram a transformações na economia e nas políticas sociais. Talvez agora o acúmulo necessário seja na política. Senão, vamos perder as conquistas que já alcançamos."
28.1.10
fóruns
A Folha hoje abre com editorial apontando o amadurecimento e a possibilidade de diálogos entre o Fórum Social Mundial e o Fórum Econômico Mundial de Davos, 10 anos depois da criação do primeiro. Ao lado, Clóvis Rossi observa o fato e o talento de Lula em lograr ser aclamado nos dois foros. E em paralelo, Nelson de Sá destacava ontem em sua coluna "Toda Mídia", citando o New York Times, a expansão de menções ao surgimento de um "Consenso de Pequim", que seria caracterizado por maior envolvimento estatal na economia (e possivelmente menos fé na efetividade da democracia para promover mudanças).
Tudo somado, diz muito do espírito do tempo: tempo de sínteses e de pontuação clara da conclusão da década que termina e do horizonte para a que começa. Conta muito do imenso espaço simbólico (global) ocupado por Lula nesse contexto. E das razões para Serra e Dilma dominarem o centro do tabuleiro do pós-Lula, barrando a passagem geracional representada por Aécio, Ciro e Marina. Todos, de formas distintas, encarnando mais juventude, abertura e modernidade do que o futuro próximo parece pedir. Mas apesar de cultivar um gosto pessoal por passos adiante (e por isso não abrir mão do papel de "mantenedora de utopias" autoinvocado por Marina), sínteses, além de parte do percurso, costumam ser positivas também. Vamos a isso portanto, se for isso mesmo.
Falando em símbolos sugestivos, é curiosa também a coincidência do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, acontecer na mesma semana da Campus Party, em São Paulo. E curioso observar as repercussões dos dois eventos. Mas essa já é outra dimensão da conversa sobre modernidade, abertura e juventude. Ou talvez não...
17.10.09
conjuntura
"Lula-lá" é certamente o chamado político mais emblemático dos últimos 20 anos no Brasil. O futuro naquele momento tinha dono.
Trocada em miúdos, a história brasileira recente é próxima da melhor possível, mas também da mais previsível. A parcela da sociedade e a geração a quem normalmente caberia conduzir a transição democrática e o poder político no país a partir de então de fato assumiram e cumpriram o papel. Lula e FHC, o PT e o PSDB, a USP, a CUT e a hegemonia paulista são a expressão deste enredo. E foram bem, como todo o país, ninguém pode negar.
É verdade: já não somos o país do improviso, já não nos orgulhamos de levar vantagem, já vamos bem além da clivagem casa grande / senzala. Driblamos menos, mas vencemos mais, com mais consistência e regularidade. Nos reconhecemos em 190 milhões, no cotidiano público, mais ainda do que de camisa amarela. Temos uma classe média urbana majoritária e crescente, ganhando poder. E avançamos com uma missão republicana clara, ainda que gradual.
E agora? Lembro-me de discutir já há um bom tempo com um amigo sobre a ausência de maiores debates sobre os rumos do país ser sintoma de mediocridade ou de normalidade. Deve ser dos dois. Mas o fato é que alcançamos um grau notável de consenso, e tudo indica que o debate eleitoral do ano que vem poderá ter cara de desenvolvido: lateral, além das questões elementares. Como tem dito Marina Silva em sua tarefa de trazer a conversa para o século XXI, a questão será o que enfatizar em acréscimo à estabilidade econômica e às políticas sociais, que são já conquistas incorporadas por todo mundo. Commodities, para usar o vocabulário da vez.
Uma controvérsia chave poderia ser a dos limites do Estado, nesta nova era de bonança e horizontes de crescimento. Mas outro fato é que gostamos demais de Estado. Depois de todos os ensaios, não somos mesmo liberais. É quase irresistível deixar-se abrigar sob a sombra dos auspícios estatais - meus incentivos, meus benefícios, meus financiamentos, minha terra etc.. E a máquina política montada em torno da distribuição deles. Mais democrática do que antes: um naco para cada um, direitos em lugar de benesses. Mas se deixar, não menos patrimonialista. E sempre fonte de concessão de benefícios.
Sobra pouco espaço para dilemas, se o rumo é claro e os papéis inevitáveis. Pouco espaço para novas rodadas de institucionalização e despersonalização, se a máquina se cristaliza na intermediação. Pouco espaço para avançar, além de seguir a inércia, o que já não é pouco.
A resposta poderia vir justamente das novas classes médias urbanas, filhas da iniciativa, de conquistas individuais e novidades do tabuleiro social brasileiro. E das novas gerações das velhas classes também. Mas elas são verdes ainda. Aécio, Marina e Ciro têm, cada um na sua raia, a cara delas (como poderia também ter um liberal-conservador pátrio, mas este ainda não tem rosto).
É interessante observar a tensão geracional das pré-candidaturas sobre a mesa: Dilma versus Ciro, Serra versus Aécio, e Marina por fora, novo Lula, ou Lula e meio. Fim de um ciclo ou extensão dele? Extensão como coroação ou como diluição? Marina, Aécio e Ciro inspiram pela evidência de que contém muito mais o futuro, cobrando passagem. Mas o futuro talvez não seja agora. Porque ainda há ciclo por cumprir ou porque seus titulares ainda podem se impor, contra o tempo.
A resposta virá nos próximos meses. Por ora, o terceiro fato é que o futuro ainda não tem dono, nem forma. Sem jingle, bandeiras ou militantes. Ele será certamente mais difuso e diverso do que ontem, mais "em rede", mas faria um bem danado que alguém começasse a lhe dar contornos. O que pode haver de novo, ainda que não na agenda macro, mas na micro, que deve mesmo ser a tônica da sequência? Quem tem um novo chamado inspirador para oferecer? Procura-se um programa, para um rosto.
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